Squezee

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leve.. feito um brisa fina que sutilmente desliza

nas madrugadas frias e vazias de uma cidade

quase deserta.

cada peça se move lentamente..

estudo.. estudas.. ampulhetas a rodar..

areias ao fim.. mudar.

A curiosidade de um sorriso

transeuntes de uma dialética de ir e vir sem fim

Todos jogamos

o olhar que cristaliza o desejo

os lábios que um sorriso emana

as mãos inquietas..

o hálito do momento que é, e de repente passa

porque esticar cordas e percorrer certos caminhos

se de fato, não se chega além de um muro liso

de hesitações…

caço-te. nos borrões das luzes que ofuscam algumas retinas

nas entranhas dos acordes altos e potentes..

no parapeito do desfiladeiro do incerto

deixo o espirito voar nessa brisa.. leve.. sem rumo.. e sem amarras.

PARA O MEU MENINO

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Família. Uma palavra, com um peso imenso. Existem formas e formas de família. Sanguíneas ou não. O sentimento Revolto por essas letras juntas possuem uma força devastadora. Nessa caminhada mundana, dia após dias vamos juntando e separado famílias por onde passamos.
Pessoas diversas. Pessoas desconexas. Pessoas impensáveis. É engraçado quando você para pensar em “como é que fulano veio a ser meu amigo, companheiro, parceiro, irmão, confidente, e etc e tal”, ou mesmo “como é que você ou eu saímos assim¿ nessa família¿ como primos, tios, irmãos¿” “Quem ou que sabe fazer essa equação¿
Sim, porque as relações humanas são uma questão de matemática. Em qual momento nessa transloucada jornada um resultado define que beltrano e fulano serão irmãos¿ Que energia é essa¿ que ação é essa¿ Cristãos dirão ser Deus, outras religiões dirão outras coisas, eu penso que é tudo uma questão de sinergia. Pura. Simples e de plenitude na conexão que cada ser tem com a força maior que gira as calhas das rodas de nossos corações.
Deve ter sido numa dessas equações que após algumas temporadas de veraneio solitária, eis que recebo a incumbência de cuidar de outro ser, menor que eu (naquela época), careca e que chorava pacas. E ainda dividir tudo que era só meu. Ensinar a ele tudo o que eu havia aprendido até ali. Ajudá-lo a passar por todos os obstáculos (naquela época tudo era gigante aos meus olhos, acreditem) e ser junto com minha mãe (que até ali era só minha) a estar sempre na linha de frente sorrindo e com um abraço mais maior de apertado em qualquer situação. Foi ali que aprendi a palavra IRMÃO.
A suavidade do seu riso fácil misturado com a capacidade intrínseca de fazer traquinagens era o bálsamo da retidão e disciplina que eu até ali fui posta a exercitar. É difícil mudar quando se é sozinho, mas você trouxe leveza onde eu só tinha meus livros e jogos de memória (cabeção tem que ser cabeção desde sempre). A inocência, que ambos trocamos de cascas vendo um ao outro crescer e trilhar caminhos diversos, mas sem nunca perder-nos de vista. A cumplicidade de pensamento no que seria certo, ou no que seria possível. No que nos afligia, ou naquilo que cada qual almejava. A lealdade de espirito, independente do certo ou errado somos unos, somos amigos e sabemos que na tormenta mais cruel, um sempre terá o sorriso do outro a iluminar uma saída das tempestades.
Você me ensinou a ser muleque, perder-me entre os tombos de skate ou joelhadas do policia e ladrão, e eu te ensinei que a gente NUNCA deve desistir de pensar que os SONHOS podem ser tangíveis. Podem ser reais. Seus pés no chão (mesmo que muitas vezes muito arraigados) seguram meus devaneios. Sua maneira carinhosa de arregaçar as mangas e ajudar a bater latas, gelo, o que seja, porque se esta na chuva, molha logo; mesmo que eu não peça claramente socorro, é uma mostra de que NÒS não precisamos de palavras para saber o quanto um vale para o outro, o quanto um significa para o outro, o quanto UM esta no Outro.
Sabe, só aqueles que não puderam ter o prazer e a raiva- sim; a gente briga, discuti se esbofeteia também!!- de crescer junto a outra pessoa, mas velha ou mais nova, a qual bastava esticar a mão para ajudar a atravessar a rua, ou a não te deixar sozinha num encontro furado, ou a pular contigo de madrugada na piscina da universidade, ou assistir um filme de terror e ainda te dar susto só para te ver pular da cadeira, ou ficar no meio dos andes sujos de SAL num frio desgraçado e cheio de lama é que nunca vão entender que esse cordão umbilical é impossível de cortar SE FOI CULTIVADO com amor, respeito, carinho, verdade, fidelidade e IRMANDADE. WE stand alone TOGETHER. Em qualquer que seja a situação.
Que Hoje seja apenas um outro ciclo que se fecha e um novo que se abre. Que o perfume de suas manhãs seja inebriante e estimulante as ações, que você encontre o caminho pelo qual seu ser deva percorrer na sua viagem pessoal e que ame, muito e intensamente, cada momento, cada respiração, cada dádiva que colha em sua vida. AMO VOCÊ meu irmão e que seu aniversário seja apenas um pretexto para nunca deixarmos de sorrir.
Parabéns, Hoje, amanhã e para todo sempre

Confuse

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Existe uma força

Como a eletricidade a mover minhas fibras

tencionando cada célula em um ringue sem saída.

Estou a afundar

como se nunca tivesse existido uma borda

na qual pudesse soerguer o corpo que pesadamente

deixa-se levar pela corrente que varre suas forças.

O frio metal, como a maçaneta de uma porta,

não machuca.. nada importa.

Estou a ser consumida

gradativamente por leituras erradas…

Confusa, sento na guia a observar o céu.

Não sei o que passas.

Não sei o que é.

Sinto apenas a pressão que de cima para baixo

Revolve minhas certezas

como num jogo de luz e sombras

ou de policia e ladrão.

O peso que em meu peito decanta

é o medo do desejo não correspondido

então, aos copos de vinho deixo as confissões

sussurros e os ombros amigos.

Mesmo assim, algo certo, em mim se cristaliza

quero o frescor de algo incerto

intenso como acelerador na alto estrada

eufórico como acordes recém criados de melodias cálidas…

o hálito entrecortado de uma respiração densa

onde devastadoramente,

deixo-me.. em ti.

Hole

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Encaro um muro

suas fissuras deixam rastros de uma luz longínqua

timidamente serpentear frestas por onde

o vento sobra os perfumes do momento do agora.

Rápidos lampejos, de um riso fácil aparecem e se vão

como se, apenas muro e chão impedissem um conhecer.

Trancas. Escondes. Porque?

rochas gastas

Musgos proliferam nessas frestas.. e a luz.. esvai-se.

Um muro que fita. Um muro que encaro.

quero escalar,

Liso, me foges. Mas continua aqui, na minha frente.

Estudo. Espero. Talvez uma dilatação

quem sabe um sol potente

ou mesmo uma chuva forte

mostre por onde o tangível

seja.. possível.

Yearning

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Indecisões

Rodeiam… esmagam… engasgam.

Aperto o compasso

Desfaço qualquer pseudo – laço

Que outrora deixei a espera.

A cabeça ereta continua

Seu caminhar..

Apenas um desvio

Na algibeira, deixo estar.

Recolho a mão que ao passeio estendi

E deixei-te apreciar

Calor de um domingo bucólico

Euforia de um aceite sem delongas

Entre a timidez do não certo em curso

A pressa da libido em canto

Ao sonho de uma noite incerta

Frente ao teto que fita a fronte

Revolvo o desejo que a língua estica

Deito a lua a ninar os cachos.

Deslize

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Chove, em algum condado.

Mas mesmo assim o cheiro da terra quente que se molha

Mistura o ar fresco desse inverno sem neve.

Fecho os olhos para ouvir o estralar do calor do

Alvorecer tocando a pele nua sob a lua que agora… se esconde.

Como uma obra de arte, estremeço… deixo a leitura aos navegantes

Que arrisquem velejarem em mares revoltosos.

A folhagem ao vento baila.. levando para longe

Os pensamentos.. os anseios.. e os desejos.

Descalço os pés percorrem

Asfaltos quentes.. Gramas de orvalhos…

Calo os ouvidos para ver as imagens

Que a mente gera.. e não desintegra.. Reverbera.

Em meio as fúrias que ao ser sucumbe

Embaralho os atos em espera calma…

Fitando o horizonte, onde desnudo a imaginação;

Do que seja.. ou do breve.

One bed only

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Euforia

Uma ampola de adrenalina

Pura.

Nas veias.

Fecho os olhos. Dormir. Extasiar.

Nada no lugar. Corpos. Bocas. Olhos.

Tudo intenso. Imenso instante entre

Um lampejo onírico e a carne em flora.

Arde. Ferozmente.

Um Que, sem destino;

Sem nascente, ou foz.

Apenas corrente

Nessa adrenalina que acelera

Cada fibra, a cada possível toque.

Abro o corpo para a boca que desejo

Selvagem, febril, como os dias

Secos de julho sertanista.

Entre tempos. Entre hesitações. Entre ações.

Caço o cheiro que me tira o sono

Fito, não sei porque, os olhos que os meus

Se cruzam…e fogem.. mas observam.. lânguidos…ao longe.

Puxo. Instigo…

Fogo vivo que queima…

Entre braseiros.. entre senões… entre frações..

Cada timbre. Cada gesto. Incerto… de certo..

Nada é certo. Nem ninguém.

Apenas, a euforia… de um ensaio.

De um depois…

De um poder ser.