Monthly Archives: July 2011

3.0

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A prática de todo os anos festejar a data em que uma pessoa completa mais um ano de vida não é completamente seguida no mundo. No Vietnã, não se comemora na data específica do nascimento, mas sim, na passagem do ano novo, onde todas as
pessoas comemoram seus aniversários coletivamente, ou seja lá o aniversário é coletivo. Rs..

Comemorar o aniversário é algo que tem origem no Ocidente quando desde a antiguidade os romanos já comemoravam o dia do nascimento de uma pessoa, conhecido como dies sollemnis natalis, e com a expansão do seu império isso acabou se  espalhando. Então como o destino e a latitude me colocaram no Ocidente, mesmo a minha alma sempre caminhar nos
ensinamentos do Oriente, estamos na porta de mais um ciclo de Dies Sollemnis Natalis batendo a minha frente. Cada ser festeja de uma forma diferente. Alguns preferem o isolamento e reclusão, nada de barulhos, preferem até que ninguém saiba quantas primaveras já coleciona. Outros adoram esbórnia, festões, comemorações e gritarias. No meu caso, eu gosto de reavivar as memórias….

Em épocas assim é que o filme do qual faço parte começa a rebobinar. Lembro de que desde os 3 anos não desgrudo de um AllStar vermelho. Um acabava de tanto usar ou ficava pequeno e logo corria para comprar outro. Da mesma maneira que quando alguém
pergunta da minha comida preferida, eu consigo sentir o sabor do Bobó de Galinha com arroz branco e batata palha frita na hora que a minha avó Bina fez para o batizado do meu irmão!, Correndo um pouco a imagem, quando entro em confeitarias e vejo aqueles docinhos em forma de frutas, lembro da comemoração dos meus 6 anos junto com o primeiro aniversário do Dan, a festa
da moranguinho com H-man! Só assim para acontecer esse encontro! Revejo cada frame das festas juninas que dancei, relembro dos inúmeros recreios embaixo do pé de mangueira na quadra do colégio.

Lembro que aos 10, na quinta série, eu já sabia que não seria freia – decepção da minha avó paterna Dona Maria do Céu! – e
entrei em crise quando o professor de ciência disse que o sol iria implodir e levar a Terra junto dentre de 5 bilhões de anos!!! Quantas ajoelhadas no milho eu tive que encarar por não para quieta na sala de aula das irmãs, ou chegar imunda do recreio porque eu tava jogando basquete…levar os tombos de patins com a Wal e rir muito com as palhaçadas da Jeza e da Paty nas salas de aula..

Eu demorei muito para conhecer a praia, somente com 15 anos, em Ilha Bela e eu chorei fininho contemplando o horizonte, com uma felicidade singela de um olhar que se aguçava na observação do mundo. Desde muito nova, a câmera me hipnotizava, queria
desvendá-la, conhece-la, sê-la… Nas aulas de crisma na sexta a tarde, matava todas para ir na sessão da 15h no cine bandeirantes. De repente meu paraquedas se abre e caio na Universidade Federal de Mato Grosso no curso de comunicação social no meio de um turbilhão de efervescência e militância política após uma greve. Mundo novo, e mundo velho. Amigos, colegas, conhecidos, namoro. Quando se tem 17 anos você realmente não se dá conta de que chegar aos 20 é apenas um piscar de olhos entre um ou outro barzinho de rock’n roll nas quadras da universidade.

Debater, viajar, engajar-se. Jamais parar. Parece que algo simplesmente pulsava, ou continua pulsando aqui dentro que me impossibilita decantar. Saio de uma linha reta com rumo certo, e mesmo se o incerto perfaz à minha frente, vivo-o e retorno a
trilha. Colocar a mochila nas costas, se jogar em outro país. Solitude. Só. Solidão que corrói, mas acalenta. Sentir o frio trincar os ossos, e se embasbacar com a visão de uma praia inteiramente coberta de neve… Usar RG brasileira para entrar em cassino, dormir no máximo 2 horas por dia, e viver na ponte New York – Belmar nos dias de folga. Rir, alto e sem limites com a Wal e sua tentativa com miojos, e contemplar as cataratas do Niagara no cair da tarde… cabelo vermelho, verde, azul, roxo, rosa, curto cumprido.. voltar e recomeçar, correr atrás, terminar, engatar, continuar..Teosofar madrugadas a dentro sobre o que te aflige ou afligem algum amigo e ter a sapiência de Mao_Zen sempre parcimoniosa..

Ver amigos serem felizes, sentir o tempo passar entre as entranhas ou despencar de uma montanha russa. Trabalhar, trabalhar, trabalhar e estressar. Desde os 14 anos ter isso como natural e essencial no meu caminhar. Decepcionar e afogar as mágoas no
colo dos que lhe são estimados. Sentir-se pequena (e isso é real) mesmo o mundo lhe falando ao contrário. Fazer filmes, errar, acertar e acertar de novo e errar também. Não ter medo de pegar a estrada sem hora de voltar, mas sabendo que tem um porto seguro e que pessoas que gostam de sua companhia. Não pegar um avião rumo a Europa, e no fundo saber que isso, por mais dolorido e sofrido que tenha sido, foi correto para que todos crescessem ou se mostrassem de verdade. Foi duro. Mas era para ser. Ter sempre a prontidão do Alvorada e do Zazu para nos chamar ou bagunçar a razão, não importa.

A arte da escolha e a disciplina nos objetivos. Lógico que como não se trata de rôbo, vários sentimentos enovelam as coisas, Pablo
e Jana sabem bem disso. Contudo, separar os joios dos trigos é uma das tarefas diárias daqueles que colocam um objeto lá longe, onde a vista alcança.

Estudar, estudar e nunca deixar de; mesmo que isso seja longe daqueles que ama e estima como Preto citadinamente nos mostra.. Voltar para academia, sentar naqueles bancos de escola e reencontrar-se na adolescência. Forçar-se a aprender a dirigir e pegar o gosto. Encarar que cada dia, desde o despertar ele vêm com uma trilha sonora só dele e escutar essa trilha mesmo que não exista rádio por perto.

Permitir-se. E não ter vergonha de desejar, de ir, e sentir. Cruzar caminhos, desfazer enganos e enganar-se mais a frente. Caminhar sem rumo, mesmo tendo a bussola do objetivo central brilhando na sua fronte. Abençoar os enlaces dos amigos, ver seus filhos virem ao mundo e encher-se de uma felicidade por eles que não existe palavras que possam exprimir. Sentir saudade. Muita. Lembrar do carinho da dona Regina e suas palavrinhas em diminutivo todas fofoletes que são apenas uma pincelada da mãe maravilhosa que ela é. Lembrar das cócegas e brincadeiras de luta com o Dan e de como eu o achava parecido com aquele boneco carecão da estrela, e que hoje ele vai me esmagar sempre com esses bíceps super malhados!


Discutir com meu pai, por simplesmente discutir porque temos visões diferentes do mesmo assunto. Lembrar que quando ia paracasa da minha avó em sampa ficava de madruga na grama da praça com Alexandre e Fernando contando estrelas..

Continuar sendo fiel aos shows dos amigos Malankh para mim é o melhor guitarrista e baixista ainda ei de encontrar alguém, mas tá difícil. Ou acabar perdendo a cabeça em um encontro em frente de casa e isso virar uma história inenarrável e com um filme quase que de refém. Sofrer quando um dos seus sofre, e ser feliz quando isso corre. Saber que mesmo distante territorialmente se esta perto dentro do coração Londres ta aqui em mim assim como Cuiabá esta ai em ti Jeza, pois em cada local que eu possa ir, carrego partícula de todos que me são caros e únicos no coração e na minha alma. Bulnão, sabe quantas
Bastongues já tivemos que ultrapassar. Assim como XL sempre pronta a acelerar. E agora Holy Paulo sempre com sua onomatopéias engraçadas.

Creio em Deus e na sua sabedoria ou no seu senso de humor terrível que nos prega peças diárias, creio que os alicerces que formam o caráter das pessoas devem ser sólidos e propiciar o bem comum. Creio que palavras como responsabilidade, respeito,
lealdade, coragem, dignidade formam outra; a amizade. E esta move junto com o amor as calhas do mundo e os corações furiosos e penitentes que estão a espera de serem preenchidos. Creio que as virtudes existem para que possamos tentar sermos seres melhores, mais doadores.

E Creio que hoje aos chegar na porta dos 30 anos, as lágrimas que me escorrem as faces são de felicidade, por ter intensamente vivido essas 3 décadas de todas as formas possíveis e de sempre ter sido a menina de sardas com cabelos ondulados de saia jeans e allstar vermelho com a máquina fotográfica na mão e o olhar cada vez mais aguçado de leoa.

Que as velas sopradas hoje possam com sua fumaça levar os desejos e as preces até o céu para que sejam atendidas, além de proteger o a mim, meus amigos, família e colegas de espíritos ruins e garantir a proteção para o ano vindouro que começa depois de amanhã. Lógico com uma trilha sonora de responsa, no bom e velho Rock’n roll que nos move e com as tiradas da Carol e as risada soltas da Jack. Individuais que virem coletivos, sejamos a simbiose do Ocidente e Oriente, sem divisões.

Valeu muito. Tudo. Sem exceções.

Feliz tudo. Sempre.

;D

Slowly Beautiful

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Desabrocho em meio ao cinzento amanhecer que empalidece o mundo

Abruptas interrupções

Covardes desvios

Conduta e caráter dispersos

Imersos na turva lágrima de um ser sozinho.

Perfazer alguns erros

Compreender os momentos

Languida aflição de realizar sem tropeços

Contido desejo

Expor, despir, despir-te.

Perene a luz das palavras

Lâmina sagaz do sonhar humano.

Sonho com te. Mas não o quero.

Livre me. Não mais te espero.