Monthly Archives: September 2010

Norte Outono

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Apenas ser janela para o tempo atravessar

Passar a trinca e ….

… Aquietar-se …

Entre um trovão e outro

Destas nuvens carregadas..

Burlar o límpido clarão

Entre os borrões desse porão

Quer ergue-se ao fundo

Do palco vazio.

Segredos. Públicos.

Dicotomia impotente.

Sinto-me falha.

Sinto – me vala.

Cala-te o silencio que aos ouvidos urra.

Bocejo, e só.

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fraseamentos.

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Sinto o cheiro dessa chuva que chega

Tempestuosa opulência

Nesses vendavais destemidos

Que simplesmente passam

E colocam os eixos

Em contra-eixos.

A terra ressequida

Acolhe as folhas carcomidas

Que resistem nos troncos retorcidos

Neste cerrado periférico.

Na memória o jasmim fresco

Dançam por entre lírios e margaridas

Saltando a libido

De uma primavera almejada.

O céu continua limpo

Sem nuvens ou estrelas

E na terra nós dançamos

Para que as lágrimas

Aqui cheguem

Se nos abundem, sem trégua.

Cartas de amor…

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Subtraí alguns conselhos

E abriguei os pensamentos soltos

Em um cetim de sede pura.

Entre olhei pelo caleidoscópio

O universo das possibilidades alheias.

Sorvei aos poucos e em longos goles

A áurea inebriante do destino incerto

Que se põe sob um por do sol laranja

No infinito dessa estrada sinuosa.

Sentada entre os raios que tocam

O vale abaixo dos meus pés

Encontro a matéria incerta

Para fertilizar este campo árido

Que abocanha todo o redor.

Não existe pressa apenas, desejos.

Intensos na propositura

Dos gestos para o depois.

Entre sim e nãos

Entre ilusão e razão

Entre esquerdas e direitas

Sem trocar pés por mãos

Estendo meus braços

Ao baunilha distante

E escancaro as portas

Para as percepções que ululam

Enquanto no longe

Porém perto;

 Em variantes notas de rodapé

Enraízo o sentimento

Das eternas cartas de amor

Assim, como as outras;  ridículas.

Dry.

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Seco.

Árido.

Fenda inquieta

Incrédula malandra

No trapézio da fonte eterna.

Faço de caso

Pensado e premeditado

Meus passos nas ruas

Cheias de transeuntes vazios

Tentando .. tentando..

Não sei ao certo, o que.

Sinto um vazio pesado

Acanhado por este calor que

Enlouquece os pensamentos.

O peso pesa.. pesa..

Não descarrego, ao contrário

Abasteço, e mais pesado;

 o vazio fica.

Mesmo com tantos rostos distintos

Salpicando feito botões;

O vislumbre ao fim do alaúde

É de apenas alguns borrões.

Rascunho as paredes que se fecham

Sob meus olhos

Com as trovas do pesar que asfixie.

Uma pausa no pulsante ardor da alma

Faz-se apenas ao meio dia.

Entre soluços, faces e gestos

Bebo a lágrima que nas maçãs dança

E fecho os lábios rubros e mordidos

Para beijar-te a fronte, o colo e o proibido

E na fogueira deixo esta alma que não cansa.

Perfume de um verão.

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Acordei no pulo

Susto

Fuga audaz dos pensamentos que afloram.

Sinto seu cheiro em minhas memórias

Estórias inquietas e borradas

Por canetas desgrenhadas e falhas.

Sinto seu gosto em meus devaneios

Passado presente

Impertinente que espalha seus rastros

Por entre arcabouços do não esquecer.

Afoita belisca a mim

Sim, o que se passa entre as madrugadas

À espera dessa primavera esfumaçada do futuro¿

Porque enlaço meus braços em ti

Assim, no escuro do perfume do verão que acabou¿

Não procuro.

Não.

Mas voraz ainda abocanha meus desejos

Em ti deixar-me inteira.

Voar.

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Desboto esta aquarela

Entre pétalas espalhadas

Entre polens

Entre estradas

Entre tons

Silenciados pelos sons

Das madrugadas.

Desfaleço frente aos pés

Descalços e feridos

Poeirentos e cansados

Enraizados nas histórias

Das estações que vão e voltam.

Destroço o pulso dessas memórias

Temporalmente sem logradouro

Pujante estouro

Dos sentimentos ressequidos

Deste coração só.

Desfaleço entre os sonos

No abismo vislumbro algumas pontes

Poentes saídas de um agora barroco

Arrisco um passo

Não em falso, firme

E avanço no onírico possível fim.

Destravo minha mente

Frente os versos que te escrevo

Frente às rimas que te rabisco

Frente às palavras que te ofereço

Junto ao beijo que te deixo

Nesta brisa que voa.