Monthly Archives: July 2010

Atordoada

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Atordoada

Coloco-me uma vez mais nesta estrada.

Procuro ao redor alguma placa

Alguma sinalização

Não tenho direção

Apenas um longo

Rastro longitudinal

Que transpassa qualquer limite

A boca esta ressequida

Igual ao solo aos meus pés

Os pulmões pesados

Com partículas de mercúrio

À chacoalhar os vasos

Apenas uma dor

Quebra a solitude e faz companhia

Não existe mais vinho

Nem ao menos

Um resquício de carinho.

Entretanto

Continuo olhando para o céu

A espera da chuva

Que traga

Você.

Manhã de Domingo.

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Giro o corpo uma vez mais

Ainda sinto a volúpia

Embriagante a me cercar.

Um frio causticante

Sopra;

Mesmo assim, a vela dos anos

Continua a flamejar.

Rascunho verbos

Entre substantivos alheios,

Carregados de fel;

Outrora de amor.

De qualquer forma

Visceralmente exponho

Toda angustia que queima

Ou , um resquício de dor.

Corro as páginas com os olhos

Ávidos para o final feliz constatar;

Tombo o dorso cansado da estrada

Quando em fim, entendo

Conto de fadas

Nem em sonhos

Vão se realizar.

Não quero abrir a cortina

A luz intensa do domingo

Chamusca as paredes lá fora

Aqui, entre a preguiça

Aconchego meus pensamentos

E vou embora.

Porém, quanto alto faz se o dia

Reviro o baú e encontro

Uma pista;

Entre fios e navalhas salteadas desta vida

Coleções e livros espalhados

Um tropeço no cadarço desamarrado

Pode ser um empurrão

Do destino em desatino.

Os pássaros agora cantam afoitos

Existe uma brisa passando pelas frestas da janela

Fito um momento

Ainda quero este colo

Mas entre o certo e o errado

A dúvida paira absorta

Enquanto o disco quase furado

Reverbera a melodia gaga em meus ouvidos

Então beijo o lençol que me cobre

E espero outro inverno chegar.

Jeruza

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Até logo

Vou virar aquela esquina

Seguir em frente e deixar

Com que os cabelos revoltos

Baguncem ao vento que canta

A melodia de despedida desta terra.

Guardo comigo as memórias vívidas

Dos amigos que aqui fiz

Dos amores que aqui colhi

Dos momentos que aqui vivi

Das alegrias que aqui plantei.

Já fiz outras vezes o trecho

Na estrada à minha frente

Mais fria, ás vezes quente, porém;

A mesma.

O que agora em mim muda

É o tempo que matura.

Saio de cena neste ato errante

Entre aplausos e pedidos de bis

Sou tentada a ceder à platéia

Mas no fim, retorno aqui.

Tudo que roda

Nessas calhas da vida

Embora instintivas

Predestinadas e escritas estão.

O ciclo só muda o diâmetro

Mas sempre , quase sempre,

A mesma direção.

Até logo, aceno o braço;

A garganta embargada

Pelo marejo no olhar

O retorno ao ninho amigo

Foi intenso

Como as novas amizades feitas

Neste novo acordar.

Torço jornal, colo e monto

A escultura da alma humana

Em desespero

Pretenso apelo para a compreensão

Do agora

Entre as notas e gracejos

Entre os muros e calçadas

Os canários e as estrelas

Entre o tudo e o nada.

Jaz em meu peito

Variantes sentimentos

Entremeados pelas cordas

Desta grande vastidão

Sem mais palavras

Ponho-me inteira

Na exposição

Que se chama solidão.

Então continuo

À arrumar as malas

Chapéu na mão e os óculos ao sol

Até logo,

É apenas mais um momento

Enquanto preservo o passado

Nas despedidas deste presente

Aconchegadas no coração.

ps: Boa viagem dear friend.. take a road jack and go back…

Entre.

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Derrapo os pneus no asfalto frio à minha frente

Enquanto a estação ainda esta sem sintonia.

Tudo insuportavelmente silencioso

Fagocita essa melancólica sensação

De algo que;

Sem explicação, seria.

Deixo a mente

Entre as lufadas frias

Que  asfixiam o agora,

Permito ao corpo

O flutuar entre os mundos

De antes, outrora.

Não culpo as peças tombadas

Entre os tabuleiros

Ou rodadas perdidas entre os dados

Inexoravelmente sei

Quase tudo

Está predestinado.

Profile

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Simples

Como um passo após o outro

Eis em frente

A um perfil que perambula

Entre o esquecer e o presente.

Já mudei o caminho

Diversas vezes

Mas um ponto e vírgula

Que outrora foste

Sacramentado entre as linhas

Teimosamente

Liga,

 um resquício do pensamento

que;

Ao sorriso que evapora.

Finit.

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Coloco-me aqui

Entre as parcas palavras

Que me confortam.

Carregada de lágrimas

Neste emaranhado de sensações adversas.

Paradoxalmente aceito este flagelo

Que em minh’alma plantou a semente do sofrer.

Não existe paz entre as lacunas do tempo

Feroz carrasco das palavras não ditas

Dos olhares cruzados e dos acenos contidos.

Viro as páginas desta odisséia

Setenta vezes sete sejam necessárias

Para a depuração que ainda lateja.

Um céu sem fim;

Grandioso surge à frente

Onde o azul mais azul dança em aquarelas

Soergo 

 E coloco meus passos na direção do infinito.

Nego

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Nego-te o meu desejo mais voraz

Carregado de um séquito de sentimentos

Mesmo sendo de ti ardente

O furor que me guia

Não posso permitir efusiva euforia.

Nego-me a imprudência do erro

Mordaz sensação de falha mundana

Por entre as falas desfaço alguns começos

E atenho-me a certeza

De jazer co coração entre as mortalhas.

Nego os impulsos desta alma

Em desespero etéreo

Perfaço meus escudos

Menos sofrer aos olhos sérios.

Nego-te o beijo que de meus lábios escapa

Mesmo rascunhado o endereço de chegada

Não mereces meus olhares

Muito menos minhas palavras

Entre versos e cadências

Dos fotogramas do tempo

Nego avidamente

Enquanto apenas auroras houver

E volto à negação, em sublime aceitação

De que mesmo ao negar-te

O que em mim pulsa

Nego-me um dia a menos entre as estrelas

E aceito um dia a mais na solitude.