Monthly Archives: June 2010

Ato Fato Fato Ato.

Standard

Apenas um fato

Jaz no colo alvo e triste.

Cortinas tremulam

No cômodo escuro.

Saídas escancaradas

Para transeuntes vazios

Sublime melancolia

Dos começos

Após, alguns travessões.

Buscar uma chama

Entre as velas que insistem

Em queimar lentamente

E sentir a fagulha

Do esquecer

Defenestrando as lembranças

De outrora.

Existe um brilho

Eterno estandarte da batalha

Dos sentires;

Que entre os cacos

E feridas

Mina a dor languinar

Sem demora.

Mesmo desviando

A fúria que lateja nesta carne

Mesmo segurando

A gana que eclode em profusão

Sobrepujar o que o ser deseja

Tem sido

A vil solução.

O barulho deste silêncio sorumbático

Eletrifica,

Mordaz impotência

Entre o seguir e voltar uma casa.

Esconder alguns versos

Verter protestos

Manter-se

Lúcido

Mesmo quando

O delírio lhe conforta.

Apenas um ato

Pegar as chaves

Fechar a porta

E ir emora.

Tênue

Standard

Existe um muro

Cambaleante

Que separa a razão

Da emoção pujante

Que me devora.

Respiro um pouco de loucura

Para entreter o delírio

Que vez ou outra aflora.

Sinto perfume das damas da noite

Que calmamente invadem este quarto.

Ando nesta corda bamba

Fino gélido fio de navalha

Tênue linha entre o

Orgulho e o amor próprio.

Não enxugo essas lágrimas

Que furiosamente molham meus pés.

Não escondo a fraqueza

De sentir-se tão impotente.

Expurgo.

Esquartejo milimetricamente

Essa voracidade do impulso

Do pulso que não abraça meu corpo.

Acorrento e aprisiono

O grito rouco

Que em minha garganta seca.

Salgado

É o gosto desta solitude

Mordaz que vocifera

Seu hálito em minhas narinas.

Balanço

Ainda nesta corda incerta

Ainda neste recorrente sentir.

Fecho os olhos

A alma em carmim

Soluça

Enquanto o coração em brasa

 Decanta o desamor.

Pic by Fred Fagundes =)

Outono Poente.

Standard

Cercado.

Uma fina nuvem

De poeira humana

Divide dois passos.

Serpenteado

Essa cerca fantasma

O dorso cansado

Faz-se altivo

Uma vez mais.

Um passo estancado

Morre em si, como

O tardio solstício do inverno

Que começa a esbranquiçar

As folhas carmesins

Que sobraram do fim deste outono.

Enquanto, um passo a frente

Corta esta corrente

E dilacera os ferrolhos

Dos medos de um incerto por vir.

Não existe pressa

Embora essa quimera

Inseparável

Inexoravelmente capitã

De vãs escolhas

Mudas, turvas e sujas;

Necessária faz-se

Quando;

A Serendipidade

Não corrobora.

A mortalha do inesperado

Tece a aljava de fechas

Que a dinâmica dos fluxos mundanos

Invisivelmente

Rascunha em suas tortuosas letras

Nestas traçadas linhas

Entre os arcabouços do poente.

Refratar.

Standard

Existe aqui um grande espelho

Invertido;

Refratando o que

Atrás das íris,

Esconde-se.

Sublime é

Sua gélida verdade,

Não existe fuga

Não se esconde

Encara-se.

Translucido

Cruel

Na inversão

Não distorcida

A ferida aberta

Expurga-se

Paulatinamente

Em cada fenda

Que não se fecha.

Uma pantera

A aumentar os lanhos

E rugir nos sonhos.

Medonhos

Espasmos do músculo vermelho

Centelha de histórias

Inacabadas e puladas

Como o saltear de discos arranhados

Pelo tempo

Ou por homens ocos

Que sobram nas calçadas

Do agora.

Desvio desse espelho

Na intenção do atravessar

Como adentrar

A dimensão em que opera

E sentar no camarote

Do delírio a espera do próximo ato.

Chafurdar neste asilo

De situações interrompidas

E ainda sim

Fitar a verossimilhança

Da fantasia desvairada

E da melancólica e insossa realidade

E entre um devaneio

E o beliscão verdadeiro

Ponho-me a frente desse espelho

Como um circo pesadelo

E faço de seus prismas varias estradas

Aguardando a que possa desbotar

Tardiamente

Para então,

Passar o capitulo em questão.

Standard

Caminhei

Entre largas e ressequidas

Passagens

Serpenteando várias estradas

Que falseavam as direções a seguir.

Rascunhei, entre a mente inquieta

Inúmeras falas

Inúmeras desculpas

Inúmeras respostas

Para a pergunta

Ainda escondida.

Sem pudores

Sem ressalvas

Passo a frente, atravesso este riacho

Cheio de sentires

Cheio de entre atos

Roubados,

Dos momentos que deveriam

Terem; sido, e; findados.

Mesmo assim

Uma pústula languinar

Queima, assustadoramente

O inquieto coração.

Apenas os penitentes

Apenas os devotos

E desprovidos do amargor

Transpassam estas terras

Devastadas e amargas

Sem cor

Sem sol

Sem flor.

Nem mesmo um tordo

Nem mesmo um espinheiro

Avisto a frente;

Só cinza

Apenas pó

E muitas pedras.

O olhar procura abrigo

Em uma possível beleza

Escondida,

Mas eu assim,

Sem armaduras e

Com escudo as costas

Soergo a postura cansada

E forço mais um passo

Incerto, mas certo

Ao vale

Ao infinito

E além dele.

Inexorável.

Standard

Sinto saudade.

Palavra curta

Porém; bruta

Gema lapidada

Pelas argüiras

De restolhos

Dos sentimentos

Que sucumbem

O ser, assim, sem demora.

Sinto desejo.

Desejo de um beijo

Pousar entre seus lábios

De deixar-se ser mais

Levar-te onde

A chama bruxuleante

Das velas que iluminam aquele caminho

Dancem, entre sombras

E afagos

Que entrelaçam

Os braços, as pernas

E pousam

Como lascivos violinos

Entre as entranhas em brasa.

Sinto ternura.

Enquanto distante

Sorvo o porquê

Impensado de um passo

No caminhar inexorável

Do destino;

Que entre o caos e a ordem

Derrama de seu caldeirão

Os acasos que cruzaram

Os olhares.

Sinto a ausência.

Deixo o espaço

Na cama,

Embora não deva.

Embora não seja.

Embora..

Não esteja.

Sinto o impulso

Justo

Cru

E voraz. Que me devasta

A Alma

Inunda minha mente

E atordoa os sentidos.

Sinto a brisa, quente

Sublime melancolia

De um ponto

Entre o ontem e o agora

Onde assim,

De repente

Deixe-me em ti

Sem delongas

E perdi-me em si

Sem demoras.

Mas mesmo assim

Fugis-te de mim

Assim se si

Sem sim, sem não

Sem por quê

Sem razão.

Arrefecer.

Standard

Sento nos degraus desta escadaria

Enquanto a horda de corpos

Em movimentos

Matam-se entre os arcabouços do labor.

Não alimento nenhuma esperança

A desilusão imunda do que foi

Ainda me assola

Como um fantasma maltrapilho

Que não encontrou seu casarão.

Giro minha lente subjetiva

Para apenas a singela observação

E sem sentido aparente

Sem delongas ou avisos

Eis me lá;

Onde vivem os pesares

De algo tão efêmero

Do momento que passou.

Arrefecer a inquietação

Digestão,

Gástrica; e ,

Em nenhum momento, esquálida

Que não desmancha

Não colabora para com

As lembranças que devem ser esquecidas.

Meu coração sempre em brasa

Tango carmim de bailarino solitário

Já esbarrou com tantos

Contra-passos

Vacinado contra otários

Deixou-se levar

No contra-tempo

Por um falso bailado.

E mesmo assim, depois do espetáculo

Onde na coxia

O  frenético desmontar

Ao alto céu faz-se ao longe

O passo  mocho

Petulante me parece,

E a solução indissolúvel

Ao problema desta odisséia

Descabida

Continua sendo rasurada

Por letras enlatadas

Covardemente negadas

Entre pétalas ressequidas.