Monthly Archives: May 2010

Core Léxico

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Um aroma estrelado esparrama

Entre os gestos deste corpo que contemplo.

Inexpugnável é a ânsia que em mim

Transborda…

Foco o pescoço ereto que ao horizonte fita os olhos

Languidamente almejo um aceno

E a súbita prolixidade do que precisa ser dito

Para que as palavras possam finalmente

Deitar entre cetim e adormecerem.

Terrivelmente vazio o léxico

Não proferido

Ainda encontra-se, ou;

Perde-se com o tempo

Que amiúde escorrega entre os dedos do metrônomo..

Queimo.

Aflitivamente queimo com a intensidade

Implacável e furiosa

Da piedade esmagadora do perdão.

Ultrapassado o limite do plausível

A postura impensável

Continua ululando o ser inexistente.

E com isso;

Sobram apenas aspas inacabadas

Entre letras carcomidas.

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Rubro

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Parece que o destino fareja meus passos…

… e coloca-te sempre de encontro a eles.

Metáforas a fora se amontoam entre os colchetes

Enquanto uma estranha sensação de vazio

Metafisicamente me transporta para longe

Onde visualizo um pseudo-escopo de algo que podia ter sido…

Podia ter se construído

Podia facilmente ser…

Mas não foi.

Não é.

E mesmo assim;

Não finda.

Não.

O que acontece com as cores dessas notas abertas¿

Entre os gingados da canção que se monta

Pétalas rubras saltam do céu de minha boca

Para um destino inexoravelmente

Sem destinatário.

Sem.

Só.

Querer.

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Quero.

Simples assim

Sem elo

Sem se

Sem

Somente quero

Sem fardo

Sem dardo

Com chão.

Quero inteiro

Não um pedaço

Nem só borrão.

Quero a vertente

Quero as entranhas

Torrente

Singela

Nada estranha.

Viro de avesso

Se assim o que quero

Chego ao tato.

Fato.

Contente

Fervo, mas não evaporo.

Intenso.

Quero sim

Sem o não

Assim. Sim 

Quero.

Simples assim

Sem elo

Sem se

Sem

Somente quero

Sem fardo

Sem dardo

Com chão.

Quero inteiro

Não um pedaço

Nem só borrão.

Quero a vertente

Quero as entranhas

Torrente

Singela

Nada estranha.

Viro de avesso

Se assim o que quero

Chego ao tato.

Fato.

Contente

Fervo, mas não evaporo.

Intenso.

Quero sim

Sem o não

Assim. Sim

O ponto Inteiro.

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Existe um ponto

Entre o inicio e o meio.

Depois, uma virgula, e

Mais adiante

Um ponto inteiro.

Atravesso entre as linhas

E me escondo nos espaçamentos

Mesmo assim ainda avisto

Aquele ponto, inteiro.

Varro longe as interjeições

Sobrepujo alguns tempos

Refaço verbos intencionais

Verborragia tensionada

E ainda sim, aquele ponto

Assim, inteiro.

Chego ao fim

Páginas aos vendavais

Cheias de eis e ais

Travessões afiados

Exclamações ávida e pedantes

Mas mesmo assim

Aquele ponto

Entre o inicio e o meio

E depois dele antes do fim

Perene é e ainda aqui,

Continua … Inteiro.

Sussurro.

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Sussurro seu nome

No silencio da minha mente que não para.

Tento escutar

Tento aceitar

Na verdade;

Tento esquecer.

Um biombo paradoxal surge

Entre o que vejo

E o que sinto.

Todos os ritos que não findam

São esdrúxulos

Em meio ao caos

Que circunda-nos de medo.

Apenas apago a luz,

Dormir.

Mesmo assim

Partir daqui para um

Outro lugar

E quem sabe voltar.

Não sei.

Sei que;

Esdrúxulo ou não

Quero apenas

Apaziguar este coração.

Palco.

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Esmiúço

Cada microscópico pedaço

De superfície de sua derme.

Entre olho

Entre os atos

Fatos

Rastros

Que letargicamente foste deixando para trás.

Eu não busco.

Não procuro, não pontuo ou importuno

Ciclicamente você volta

Recorrente girando as calhas

Colocando virgulas onde jaziam pontos.

Suspiro o hálito congelante

De uma acaso que apavora

Cada misero momento entre

A espera do próximo ato

Em cima desse palco de luzes acesas.

Algemo.

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Algemo-te a mim.

Em um lamaçal de sentimentos

Que viajam na liteira

Desmantelada deste tempo.

Extraordinários recantos intangíveis

São nossos esconderijos

Enamoro o braseiro desta alma

Que implode as entranhas ferventes..

Um escudo polido cega a horda de lanceiros

Que se faz ao longe.

Entre os cascos afoitos que massacram os juncos

Um raio tão brilhante como

A Glória da misericórdia divina

Rasga do céu a terra em instantes.

Não existe forma de desatar esta corrente.

Amantes.

A verdade sepulcral jorra

Entre os sussurros do silencio

Adorno os caibros da capela campestre

Que espera seus passos adentrar

A túnica de lã esta no chão

E sob o firmamento gélido e opaco

Deste tempo cinza chuva

Que na abóboda celeste faz-se firme

Deito entre as margaridas deste prado de sorrisos

E risos

E aguardo

A cruzada embutida em sua sina

Findar mansamente

Como o aroma do jasmim que evapora.