Daily Archives: May 19, 2010

INTO

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Olhe dentro dos meus olhos

E não desvie sua alma da minha.

Diga ao coração que o peito suplanta

Para que acalme, acalente-se

Não estou aqui como quimera

Com a foice em riste…

Não nego a agrura na qual jogaste meu destino

O chão sumiu tão de repente feito

Uma bolha de sabão que estoura.

A minha bússola estava quebrada

E sem norte ou sul fiquei ao léu

Mesmo duramente machucada

Coloquei-me a linha do sol poente

E cada passo ao mar joguei-me firme

Encare a sua cria.

Este ranço ou desamor semi cerrado

Que de minha palavra mina

É apenas uma reação adversa

De sua inenarrável destreza

Em causar feridas alheias.

Não diga que nada foi real

Nem pense em usar desse ardil

Para deitar a consciência

Ao sono dos justos.

Apenas não desvie de mim seu olhar e seu ser

E ao menos seje

Digno.

Seje real. Tangível.

Escrevo essas tortuosas linhas

Entre essa letras pescadas a esmo

Para estancar a desolação de ter dado passagem

Ao meu jardim

A quem apenas ouro de tolo carregava na algibeira.

Mas eis ai a beleza da tragédia por inteiro

Errar e  assumir o preço

Valentia rara

Entre homens ignóbios de faces vazias.