Daily Archives: May 2, 2010

Labor Day

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Grilhões machucam meus tornozelos

Embora estejam sem correntes…

Essa fuligem negra que o vento sopra

Irrita meus olhos

Entope meus ouvidos

Seca minha boca.

Estou sentada no meio do caminho

Com o mapa na mão.

Preciso esperar essa turbulência bestial

Ser aplacada

Para que minimamente exista

Um facho de luz guia para

Tocar-me a íris.

Sendo assim, medito.

Medito enquanto ao meu redor

Vísceras voam rasante até meus pés.

Sonhos evaporam feito éter em noz liquefeito

Gritos são expelidos de gargantas sôfregas

Amores são bloqueados por covardias tolas.

O vendaval ainda continua afoito

Mas aqui, onde estou, a calmaria

Envolve minh’alma.

Sabia que prados de calvário

Far-se-iam intensos e grotescos

Mas, nada disso importa, ou impede

Que entre tantos desterros

Eu saiba, que gloriosamente, eis me aqui

Para tecer sua rede

E ser-te labor

Ao suor que revitaliza essas cinzas de homens

Ainda sem rumo

E sem o sol que do oriente levanta

Para alimentar suas coragens tão fracas.

Seguramente me firmo

E rascunho em procissão de pensar

A Opulência de ser-te verdade

A Voracidade de fazer-te honrado

Pela misericordiosa bondade

De permitir que

Consigamos compreender

Que tudo, Inenarrávelmente

É belo em sua pureza.

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