Monthly Archives: May 2010

Baunilha

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Percorro-te inteiro

Ferina…

No alabastro da varanda

Onde ao longe

Albatrozes mergulhões

Clareiam o laranja dessa tarde de maio

Sinto você.

Mesmo incerto,

Incorreto… sinto.

Tua pele

Em mim fica

Colho os jasmins que perfumam

Este inicio de noite,

Que aquarelamente vai surgindo..

Calmamente no frio fio de luz solar

Que morre no poente dia.

Acidamente aguardo,

Aconchego os pensamentos

Entre brancas e fofas nuvens de anis

E aos poucos;

Sorvo cada gota de baunilha

Que em um inesperado abraço

Possa existir.

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Deixei você entrar.

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Deixei você entrar

Com toda a força e magnitude

Opulenta de sua simetria

Deitei-me à contemplar-te

No silencio de uma noite morna de outono.

Vagueie os pensamentos

Por terras inexpugnáveis

E senti-me tão… pequena…

Bebi do prata incandescente de sua fronte

Dormi sob o cintilar de seu reino

Brinquei em um jardim abençoado

Por tua graça

Onde entre os arvoredos e

Roseiras voluptuosas

Deixava-se em rastros prateados

A abrilhantar-me os sonhos.

Puxei-a para mim

E senti a força descomunal orbitar-me

Na grandiloqüência de seus vales

Nada falei, não precisei.

Embora a minh’alma dilacerada

Perambulasse por um bosque ébrio

Os passos desta peregrina errante

Encontraram o caminho

Sob seu manto de luz.

Agora precisas descansar

Enquanto adormece nesse leito celeste

Fico aqui

A espera de mais uma sorte noturna

Embebedar-me de você.

PRETO

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Hoje as lágrimas de um filho

Molharam a terra arenosa deste vale.

No colo um buraco

Negro e profundo

Onde o vazio sentimento

Prostrado na porta se encontra.

Perdão, doce e ácido fazer….

Sulfuricamente;

A inquietante sensação de nulidade

Aquece a piedade do sentir-se

Tolo.

Não existe reação desta ação

Apenas;

A dor languinar deste bestiário

De almas perdidas e sujas.

Paz, pacificar o desconsolo

Deste, ser que,

Agora; errante, blasfema

Sua agonizante dor desta ferida

Que pulsa, opulentamente

Em seu peito desprevenido.

Não existe um porquê.

Apenas, revolta, mundana, revolta.

Sente-se aqui

Feche seus olhos

Tente escutar seu coração

Que mesmo em frangalhos

Permite o perdão.

O sol aparece neste desterro voraz

E eu ,

Meu amigo;

A ti estendo minhas preces

Meu sofrer e minha dor

Para que, menos cinza;

Possa ser o seu olhar.

Indissolúvel

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Indissolúvel

Transpasso o universo de papel

Que invariavelmente baila em minhas mãos.

Sinto a ânfora perfumada das rendeiras do tempo

Lavando os pés

Que sobem os degraus iluminados

Na busca do reconforto de suas feridas.

Escudos baixos

Sílex espalhados por este vale de sangue

Onde o hálito fétido da imundice

Suplanta a vitoriosa cruzada

Das palavras puras.

Arrefecer.

O peito sem couraça

Aberto como alvo

Não tem medo

Não tem receio

Não tem recusa.

Deite seus cabelos

Revoltos

Entre os braços cansados

De varrer os solos mais ermos

Em busca do seu sorriso.

Aqui,

Entre os escalpos de guerra

Trago o estandarte

Dos sentimentos que me guiam

E mais uma vez jogo

Aos seus pés.

Fujo.

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Acalento meu desejo

Enquanto não te toco.

Danço uma valsa de sentidos

Onde fujo

E espreito.

Quero atravessar essa linha

Mas não sei se devo

Então, escondo,

E desejo….

Faço do vento meu mensageiro

E um confidente.

Faço da lua

Minha lanterna neste firmamento

Enquanto as estrelas sussurram

Risonhas em meus mudos ouvidos.

Uma noite sem lua

Sem estrelas

É uma mente ignóbil

Sem sonhos.

Então, deixo-me, entre elas

E nessa valsa de querer e

Não dever;

Poder,  e esquecer

Vou desejando-te

Em versos

Enquanto a prosa

Ao fato;

Não chega.

INTO

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Olhe dentro dos meus olhos

E não desvie sua alma da minha.

Diga ao coração que o peito suplanta

Para que acalme, acalente-se

Não estou aqui como quimera

Com a foice em riste…

Não nego a agrura na qual jogaste meu destino

O chão sumiu tão de repente feito

Uma bolha de sabão que estoura.

A minha bússola estava quebrada

E sem norte ou sul fiquei ao léu

Mesmo duramente machucada

Coloquei-me a linha do sol poente

E cada passo ao mar joguei-me firme

Encare a sua cria.

Este ranço ou desamor semi cerrado

Que de minha palavra mina

É apenas uma reação adversa

De sua inenarrável destreza

Em causar feridas alheias.

Não diga que nada foi real

Nem pense em usar desse ardil

Para deitar a consciência

Ao sono dos justos.

Apenas não desvie de mim seu olhar e seu ser

E ao menos seje

Digno.

Seje real. Tangível.

Escrevo essas tortuosas linhas

Entre essa letras pescadas a esmo

Para estancar a desolação de ter dado passagem

Ao meu jardim

A quem apenas ouro de tolo carregava na algibeira.

Mas eis ai a beleza da tragédia por inteiro

Errar e  assumir o preço

Valentia rara

Entre homens ignóbios de faces vazias.

IN and OUT

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O que ocorre entre o peito e os olhos

Que explodem em sensações de frenesi ácido

Cegando o coração¿

Penitencio-me

Cátedra de júbilo

Enquanto a implacável inconformidade

Se faz voraz e derradeira

Uma vez mais.

Ao firmamento lanço minha alma

Feito um bumerang sem volta

Ofereço-te inteiro

Para aplacar a ira que mundanamente me corrói.

Quero misericordiamente apagar

Qualquer rastro de ligamento

Ao efêmero desvio do percurso de minha jornada

Mas parece que quanto mais

Tinjo de terracota o esquecer

Avolumados percalços insolentes

Vociferam perturbantes nos meus sonhos acordados entre os dias e noite a fio…

Abata-se sobre mim

E leve, leve tudo…

Nada pertence a este bestiário

Nem mesmo a lágrima que

Em minha face percorre a salgar..

Salgar a terra

Salgar as palavras…

Salgar as ações que anseiam por serem realizadas

Mas falta-me  a piedade plena

Da sabedoria

Para que, não mais tema

E sim, faça

A hombridade do alicerce bem construído

Bater-lhe o machado na cara

E visceralmente entreter

Os inconformados.