Monthly Archives: April 2010

Tendo querendo sendo querendo sendo tendo sendo querendo tendo.

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Cada vez espero menos

Dentre os anseios de sempre mais

De sempre além

Mesmo sendo o que sei

E o que estou vendo

Não consigo burlar a fraqueza

De sentir o que não tenho.

Mesmo tendo, sendo e querendo

Coloco um travessão

Depois do ponto e vírgula desta questão;

Porque esdrúxulo no mínimo é

O desapego de algo que já não tenho

Mas que mesmo não sendo,

O sentir continua querendo.

E nesses verbos intransigentes

Não existe um por que a responder

Apenas vou entretendo

Fingindo e não sendo

O que o querer e o ter esperam

E deitando nessa cama de palavras

Emaranhadas, fluídas, espalhadas

Conjecturando os pensamentos

Para tentar então findar

E ser o que posso

Ter o que toco

 E ainda assim,

Querendo o que não tenho.

Vôo de quarta.

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Invoco uma luz fria para iluminar apenas este breu

Nas cercanias do lago onde vislumbro você.

Sois para mim a intensidade sonora

Dos acordes de um Cello enamorado

Pelo soneto vertido pelo violino vermelho.

Arranco do peito o desejo de lançar-me a ti

A impulsividade desta ânsia é desproporcional

Ao controle de um todo.

Encantadoramente declamo

Os versos que surgem nas pontas das línguas que falo

Todos eles endereçados a ti.

Perene

Seje todo lábios e encontre os meus olhos

Que continuam a mirar-te a fronte

Entre os vis transeuntes que atravessam

Meu caminhar.

Bato minhas asas entre os nacos de ar quente

Que endoidecem a noite que não passa….

Mesmo nesse vôo colorido e repentino

Levo comigo essa canção recorrente

Que insiste em colocar-te nos meus destinos..

E assim, ávida como a aurora que surge ao longe

Vôo para ti enquanto,

Cantas;

Para mim.

Intensidade.

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Ontem senti uma ponta de euforia

Como se um turbilhão quente

De cores e formas

Invadisse-me inteira.

Os matizes de azul profundo ressoavam

Como garbosos pássaros a ganhar os ares

Libertos no firmamento.

As nuances de carmim salpicavam

Por entre os tons e sobre tons de verdes e ocres

Que ao solo faziam-se presente.

Frondosas construções brincavam com as variantes de cinza e concreto

Efêmeros fúxias eclodiam diante de Iris incrédulas

O ouro do amarelo canário entre as penas e os polens das flores

Dos jardins suspensos que dançavam

 ao longo

Da alameda de delírio

Entoavam o cântico dos rouxinóis.

Tudo minuciosamente interligado

Pelas sinapses oníricas que flutuam entre as madrugadas frias

E o amanhecer orvalhado que mansamente acalenta um novo dia.

Espero que o hoje,

Seja ao menos uma fagulha da beleza desse arco-íris

Multifacetado de um ontem

Assim

Intenso.

Sombra.E ButterFly.

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Deixe que a cólera desse instante abarca-se sobre o ser

Não permito nenhum recuo;

Apenas seguir a diante e ir sempre além.

Corrosivamente sinto o desejo de parar

E mudar em uma esquina

Mas então, volto a mente, na meta em si

E sobrepujo qualquer dor

Subjugo qualquer medo

Apenas a bravia coragem do prosseguir paira em meu peito.

Miraculosamente antevejo a adaga afiada

Da decepção mundana que cavalga no destino presente

Como a amazona destemida do tempo errante.

Sinto pena. Sou inundada por uma piada imensa e tamanha

Que dói. Dilacera. Aflitivamente.

Tento, mesmo que em vão, marcar algumas saídas aos que vem

Na algibeira de meus passos

Deixo um rastro de presságios

Aos que jogam-se na jornada do descobrir-se inteiro.

Paro aqui. Sacudo a poeira da camisa.

Enxugo o suor, e encho a caneca de água fresca.

O sol ainda é de meio dia

E não tem brisa para soprar-me a fronte.

Nem ao menos, sombra.

Despir.

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Despimo-me aqui.

Sem reticências

Sem senões.

Tiro o vestido e jogo longe os sapatos de salto.

Permito que o sobro sussurrante do vento

Acaricie minha pele

Que livre

Evapora para onde eu desejo estar.

Verto o cântaro de água de cheiro

Perfumo os cabelos que descem revoltos

E moldam o dorso quase que inteiro.

Jogo-me ao céu

Nua.

Nada faço, e ;

Nem quero.

Apenas espero.

Calmamente sinto-me encher de jubilo.

Estais aqui

Estais em todos os confins

Estais inteiramente em mim.

Cravado em minha alma

Uma inquietação alucina

Ainda não encontrei meu porto

Vago vagarosamente à sua procura

De cais em cais avisto alguns atracadouros

Nenhum porto

Nem..

Deito-me sob seu firmamento eterno

E ao etéreo caminhar faço-me presente

Transpasso a metafísica das possibilidades

E percebo a singularidade de cada sibilar dos sinos

De longe.. distantes..

Solto-me inteira.

Pendo em um penhasco flutuante

Onde pular me faz chegar mais rápido a um ponto certo.

A ventania adentra subitamente meu espaço

E trás um manto de fuxicos estrelados para cobrir-me a pele rosa.

Confortavelmente me sinto

Passeio entre os cais

Não existem placas de aluga-se

Disponíveis no momento.

Que pena, não¿

Desperto.

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“Despertei de um ilusório desconforto

E senti-me profanamente suja.

Rabisquei um esquecer

no entanto;

O esquecer não esmorece.

banho neste lago de calvários glaciais

A febre que domina meu corpo

Precisa ser aplacada

Frenéticamente inundo minhas memórias

Com mais e mais fotogramas da existência.

O quentume no ser persiste

Lânguido escopo do desejo não atendido.

Paulatinamente desfaleço os anseios

Na enfurecida tentativa de inebriar-me de sensações

Refrato nas irís do horizonte algumas preces

Que bruxuleantemente queimam

Entre os vales de emoções.

Não quero manter este corpo acordado

neste instante em questão

Preciso voltar e fechar á vácuo

o involucro quebrado.

Mais um cintilar de luzes se faz ao longe

Fecho os olhos

Fecho a mente

e morro ao beijo.

Oi.

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Um frio colossal percorreu-me a espinha

Fitei-te

Apenas isso.

Avistei sua face entre tantos transeuntes sorridentes

Queria não ter encontrado

Seu sorriso liso

Ao menos ao desterro de uma negação

Podia abraçar-me como verdade.

Expurgo as canções que remetem

Aquele momento

Passado perdido em um espaço tempo

Que deixe que tocasse meu véu.

Dilacero cada entranha que

Inenarrávelmente ainda deseja-te,

Embora a boca, seque, no simples

Pensar que podes não me querer mais.

Por que sim, a tua não fala

O teu julgo louco casual

Não sendo casualidade alguma

Confunde, esmigalha, entristece.

Abro os pulmões para brisa gélida que

Mansamente chega

ao cair da noite alta.

Ainda sigo-te silenciosamente,

Entre a virtualidade que podes me mostra-te

E os acasos que colocam seu cheiro ao meu despertar.

Nada é incomensuravelmente impossível

De transpor.

Basta coragem, para um aceno;

E , depois;

Um oi.