Madrugada de outono

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Existe um coral de estrelas em minha janela

Por entre o voal bruxuleante

Contemplo seus tintilares

Sob o luar que resplandece sobre a terra

Orvalhadas entre os musgos e as pedras

Deste quintal onde os sonhos

Dançam colores

Sinto o rufar acelerado dos tambores

Que o tempo usa em suas melodias.

Baixinho o riso faceiro das bromélias

Paulatinamente embelezam os jardins suspensos

E o doce perfume das damas noturnas

Arrombam os sentidos dos

Que da insônia são companheiros.

Jabuticabeira carregada

Com os profundos olhos de azeviche

Caminho sob a grava molhada

E sinto o ardor invisível do mundo que não para.

Deito neste chão e deixo-me aqui.

Permito que o ar de outono que se encaminha

Adentre meus brônquios e me inunde.

Ontem  fora dezembro, já nos aproximamos de Abril

Virar e mexer a ampulheta

E não contar o tempo mesmo sentindo-o

Transpassar-lhe o ser.

A lua começa a descer e ao leste u tímido raio baunilha

Posso avistar.

Colho as frutas

Beijo as flores

Fecho a janela

De deixo o sonho entrar.

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