Monthly Archives: March 2010

Passamento passatempo passa passo

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“Sentei no beiral da sacada nesta madrugada

E contemplei o barulho silencioso da cidade que dormia.

Senti o peito encher-se da calmaria dos sonos profundos das crianças

E chorei. ..

Contidamente.. mas deixei que as lágrimas lavassem a face

Que ainda estava empoeirada pelo dia que findava.

Acalentei o pensar

Na aflitiva solitude do querer ser prestativo

Contei cada uma das constelações

E guardei suas intensidades na minha mente que flutuava..

Deixe-me no espaço.. apenas um corpo.. matéria não etérea

Que ocupa uma dimensão, onde duas matérias poderiam estar..

Anacronicamente busquei perguntas para as respostas

Já decoradas e recopiadas.

Mantive o cabelo valsando nas cristas dos ventos

Subi até onde não mais podia ultrapassar

Meus ouvidos estavam fechados, apenas para escutar o coração

Que afagava cada uma das inseguranças que se projetavam a frente.

A doce e opulente cheia no céu descia,

Rumo ao encontro com Morpheus

E assim o brusco e broco alvorecer surgia

Aquecendo um pouco mais este viver.

Abri os olhos e fechei a janela

Mas continuei com o seu sorriso

No horizonte da mente sem fim

No finito espaço da noite que passou.”

Creio. Crês.

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Eu costumava usar uma armadura pesada.

Brilhante, rebuscada, e;

Toda cheia de lanhos de guerra

Por entre verdes e em monocromáticos prados caminhei

Eu machuquei a mim mesmo inúmeras vezes

Tantas, que é impossível mensurar.

Os ombros sustentam um corpo cheio

Com olhos vazios a fitar o mundo.

Cheio de dor. Cheio de tropeções. Cheio de interjeições

Sinto que ainda continuarei a vagar.

Nesta terra ressequida

Não posso desfazer os passos dados

Nas direções erradas do passado

Não existe uma borracha no tempo…

Estou cheio de pensamentos quebrados

Refratados no espelho do infinito

Tenho sede..

Tenho medo

E sinto o frio latejante amortalhar o dorso só.

Em meio a este limbo de compaixão

Tenho apenas o peito cheio

Da verdade que move cada um desses míseros dias..

Contemplo internamente uma luminosidade

Tamanha.. intensa…

Que afugenta qualquer desolação

Qualquer incerteza..

A minha Alma é livre.

Livre como o vento a soprar vossas palavras

Para arborizar outros jardins

O fardo dos ombros é apenas

A consciência de que o certo;

não é belo

Não é leve

Não é fácil digerir.

Ludicamente toco-lhe a mão

Viro o pescoço e encontro um portão

Devo entrar, desvio apenas uma rota pequena;

Carrego o fogo

Dos penitentes de mente

E gratos de coração.

Sejamos mais um instante

Sejamos mais um verso errante

Que possa amparar os fracos

Auxiliar os fortes

E abençoar os incrédulos…

Incrédulos de que existe sim..

Beleza ..

Em tudo.

Não é fácil

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” Para que vasculhas

As palavras, quando,

queremos expressar os sentimentos?

Para que dedilhar a língua

Se a lascívia é tão…

…. Impiedosa?…

Maquiavélicamente sabemos..

sim sabemos de tudo , e;..

Não sabemos nada no mesmo instânte..

Porém, continuamos com o teatro da vida

a entreter uma platéia de alienados…”

Divagações noturnas outonais

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Levantei cedo para sentir o orvalhar

Do fim de noite adentrando o dia.

A suavidade do estralar do vento

Na pele que,

ainda quente das cobertas

Deixava-se ao toque suave de seu hálito outonal.

Deitei a cabeça no beiral

E permiti a cortina dançar

Acariciando meus cabelos.

Uma amplitude de paz abarcou-me por completa

E em silencio tempestivamente afoito;

me mantive.

Enquanto escutava o acordar gradativo do mundo

Voltei ao volante e liguei o radio da mente

Abri as portas para que a música consumisse todo o ser

E guiasse meus pensamentos

Pisei no acelerador e nem pensei em frear

Bastava apenas, desviar de qualquer percalço.

Quando o tímido amanhecer cinza

Ainda brigava com o azul claro

Para compor um céu solitário,

Abri as pálpebras e fechei as cortinas.

O café fumegante chama na cozinha.

Outra manhã. Para recomeçar.

E começar.

Madrugada de Outono.

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Existe um coral de estrelas em minha janela

Por entre o voal bruxuleante

Contemplo seus tintilares

Sob o luar que resplandece sobre a terra

Orvalhadas entre os musgos e as pedras

Deste quintal onde os sonhos

Dançam colores

Sinto o rufar acelerado dos tambores

Que o tempo usa em suas melodias.

Baixinho o riso faceiro das bromélias

Paulatinamente embelezam os jardins suspensos

E o doce perfume das damas noturnas

Arrombam os sentidos dos

Que da insônia são companheiros.

Jabuticabeira carregada

Com os profundos olhos de azeviche

Caminho sob a grava molhada

E sinto o ardor invisível do mundo que não para.

Deito neste chão e deixo-me aqui.

Permito que o ar de outono que se encaminha

Adentre meus brônquios e me inunde.

Ontem  fora dezembro, já nos aproximamos de Abril

Virar e mexer a ampulheta

E não contar o tempo mesmo sentindo-o

Transpassar-lhe o ser.

A lua começa a descer e ao leste u tímido raio baunilha

Posso avistar.

Colho as frutas

Beijo as flores

Fecho a janela

De deixo o sonho entrar.

Madrugada de outono

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Existe um coral de estrelas em minha janela

Por entre o voal bruxuleante

Contemplo seus tintilares

Sob o luar que resplandece sobre a terra

Orvalhadas entre os musgos e as pedras

Deste quintal onde os sonhos

Dançam colores

Sinto o rufar acelerado dos tambores

Que o tempo usa em suas melodias.

Baixinho o riso faceiro das bromélias

Paulatinamente embelezam os jardins suspensos

E o doce perfume das damas noturnas

Arrombam os sentidos dos

Que da insônia são companheiros.

Jabuticabeira carregada

Com os profundos olhos de azeviche

Caminho sob a grava molhada

E sinto o ardor invisível do mundo que não para.

Deito neste chão e deixo-me aqui.

Permito que o ar de outono que se encaminha

Adentre meus brônquios e me inunde.

Ontem  fora dezembro, já nos aproximamos de Abril

Virar e mexer a ampulheta

E não contar o tempo mesmo sentindo-o

Transpassar-lhe o ser.

A lua começa a descer e ao leste u tímido raio baunilha

Posso avistar.

Colho as frutas

Beijo as flores

Fecho a janela

De deixo o sonho entrar.

Lilás

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Sorrio para ti.

Todos os dias.

Sem pestanejar meus pensamentos tocam sua face

Sinto a maciez dos seus fios de cabelos

Enquanto um cafuné lhe ofereço.

Assovie a melodia que se espalha no ar.

O púrpura da orquídea impreguina todas as matizes

Coloridas desta sala.

Violentamente uma alegria espalha-se

E inunda o corpo que frio, ainda dormia plácido.

O Perfume desta felicidade faceira é doce.

Deixo o peito entre aberto para que venha

Aloje-se.

Fito seus olhos e sei que o bom repentino

Assusta, mas ele

Existe e surge

Quando não o procuramos..

Quando deixamos que o fluxo nos guie.

O orvalho lá fora ainda canta

Os nossos passos da dança de ontem.

Levanto sutilmente e abro as cortinas

O sol invade e aquece tudo e todos.

Devolvo-lhe o sorriso de antes

E jogo-lhe o beijo no ar

Vem buscar¿