Monthly Archives: February 2010

Aceito.

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Já cortaram minhas asas há algum tempo

A base ainda sangra e sinto o calor

Do sangue quente que vez ou outra dali aflora.

Já cortaram minhas pernas um tempo depois

Mesmo assim aprendi a usar os braços

E a mente para sair da letargia territorial

Agora cortam- me as mãos.

Penso, porque não guilhotinam a cabeça

Ou rasgam a braquial e terminam.

Transformar esta pequena na boneca de louça que desejam

Colocar na prateleira ou em cima da cama nas almofadas e pronto.

Quisera não ter tido a chave para a porta do sonhar…

Assim, continuaria na alienação geral..

Continuaria sem vislumbrar as diversas luzes e seus matizes

Assim, deixaria de contradizer e apenas aceitaria…

Aceitar. Aceito.

Estas feridas são profundas, e não fecham.

A dor pujante não tem como ser estancada.

Existe um invólucro onde a garotinha de cachos corre

Mas ela esta sozinha..

Sempre esteve…

Existe um ponto onde volto a película e toco a liberdade..

Ela é tão doce.. tão viva e audaz.

Quero apenas saber quanto tempo tenho¿

Para decidir o que quero, o que buscarei querer.

Para saber até onde posso rodar o filme e se ainda me resta tempo

Para uma pequena projeção.

Silenciosamente engulo o choro.

Ele é um desabafo, mas não posso externar.

Tenho que manter a cabeça ereta e alta

Mesmo que o pranto ainda exista … continuo a aceitar…

Sad Morning

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Não sei por que continuar.

Eu já sei qual será o próximo passo dessa dança.

Estou tão cansada..

Gostaria apenas de sentar e observar o tempo;

Nada mais.

Já foram tantas curvas

Outros tantos obstáculos também.

Já aconteceram tantas batidas

Outros tantos recomeço também..

Mas é sempre um recomeço.. para um outro recomeço..

Desencanto das sutilezas das pequenas coisas abate-se sobre mim

Gostaria de nenhum pensamento

Inércia total um minuto apenas.

Dói.

Muito.

Avassaladoramente soluço, e enxugo as lágrimas que verto.

Estancar e conter os danos.

Eterno jogo de enganos.

Esperança por uma razão que racionalmente não se explica.

Racionalidade que se afoga nessas veias….

…uma mão que foi tirada do apoio..

E a reação em cadeia das borboletas emergiu.

Mais um tombo, mais um levante, vamos, continue..

Metaforicamente entoou  o pensar

Para aliviar esse vazio tão cheio de culpa, cheio de mágoas.

Alguns dias, gostaria apenas de continuar dormindo..

E quem sabe sonhar com o campo púrpuro ao pôr do sol..

Não existe entendimento, existe apenas os fatos

Cientificamente comprovo

Mas mundanamente procuro algum tipo de conforto

Que nunca existirá..

Pego essa lauda; e passo adiante.

Carimbe. Protocole.

O processo já conheço de trás para frente.

Amanhã a Ira decanta

E na desolação da fragilidade desta alma

Uma passo a frente irá pousar.. entre outro.. outro.. outro..

ps: Pic by Dan

….!

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“Quero.

Não.

Talvez….

Comecemos do início

Basta voltar duas voltas atrás.

Sorrateiro, tudo retorna..

Nessa louca montanha russa em queda vertiginosa

Passo pelas esquinas onde

Não existem mais pedrinhas de brilhante..

Mas você continua a passar.

Existe uma chave dourada na cabeceira desta cama

Pego¿ deixo¿ tento libertar…

Abro então a portinhola a minha frente

E encontro um espelho.

Olho através. Olho atrás.

Simplesmente.. olho.. e

Vejo-te. Vejo-me.

Existe um grande vazio que rodeia tudo

Mas aqui, onde estamos solidez.

Sim.

Vamos.

Sejamos.

Os nossos alicerces são firmes

Assim como vossas mãos, assim como vossa palavra.

Qualquer hesitação, dissolve-se no ar

Ao simples timbre de seu olhar

Qualquer medo, torna-se timidez

Ao fitar sua voz..

Evaporar.. Evaporar para ti. Evaporar e voltar..

Estamos no inicio novamente.

Avançamos uma casa por vez

Não existem problemas em ter calma..

Tenhamos.. calma..”

Aniversário.

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A madrugada esta lá fora

Não é sombria, é luminosa.

Entre as esquinas desta rua sem volta

Entrevejo alguns portões

Ou seriam outras dimensões¿

Meus passos firmes continuam em linha

Ora reta, ora sinuosa

Tudo depende da variante que atravessa

A minha frente.

De repente paro. Encaro o relógio suspenso.

Ele corre para trás, enquanto eu;

Não tenho ré.

Viro, vasculho as linhas de visão

Que estão ao meu alcance

Somente eu e meus pensamentos

Nesta jornada clareada.

Aonde isso vai dar¿

Porque simplesmente não parar¿

Afugento as dúvidas recorrentes

Existir

Co-existir.

Os diferentes completam-se e repelem-se

Neste jogo de sinuca de bico.

Percebo que alguns fios platinados

Afloram em meus cabelos

Ser o tempo¿

Maturação.

Mensuro todas as ruas e esquinas atravessadas

Até aqui.

Pontuo todas as noites e olhares encontrados

Nos tropeções.

Relembro de todas as cartas jogadas

Nas reuniões.

Sorrio. Rio. Choro.

Este caminho onde estou,

Sei bem, que existe um fim,

Ou não.

Até esta esquina plantei e colhi tesouros

E algumas desilusões.

Mas, nunca só.

Embora meu caminhar seja e será

Sempre solitário.

Mais um passo.

Mais um ano.

E continuo, olhando..

Às vezes.. para o céu.

Ps: Ao Templário, penitente que sempre passa. Feliz Aniversário Soldier.

Despedida.

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Uma ponta de tristeza bate ao peito

Não com pesar;

Mas, cheia de saudade antes do partir.

Pouco me resta aqui.

Saio com todas as linhas escritas

Ao menos, creio assim.

Os dias voaram feitos falcões em caça aberta

As noites transformaram-se em borboletas do tempo corrente.

Vasculho seus encantos

Acaricio suas rugas, suas linhas de expressão..

Docilmente respiro você

Impetuosa, antiga.. Solidão.

Entre as prováveis equações

O resultado desta põe-se ao revés;

Tenho medo, mas, mesmo assim

Anseio voltar a ti.

Tenho insegurança

Não sei se as pernas acompanham seu ritmo.

Caneta e papel sempre presentes

Para rabiscar as possibilidades tangíveis.

Como mudamos.

Você, eu..

Ainda me inebrio aos seus encantos

Ainda almejo tua luz

Ainda acredito em tuas veias

Mas corro na dinâmica dos fluxos opostos ao seu.

Será¿

A direita estou na janela desta tarde que se finda

Contemplo-te por inteira… bela..

Até onde os meus olhos possam medir-te.

Sei que a volta em algum momento faz-se presente

Por isso essa tristeza do partir.

Aos meus braços os seus correm

Mas ao mundo jogo o corpo a sentir.

Que conheças outras histórias, outras eras…

Pois o regresso austero sabe que chega,

Então deixo esta rosa

Para que tu continues apenas a sorrir.

Para ti.

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O cinza mesclado espalha-se para onde quer que eu olhe.

Sinto-me numa engrenagem, gigante, imensa.

Ouço o murmúrio daqueles que não conseguem

Ver depois do muro lá na esquina;

Perdem o firmamento azul real que ao longe

Sob o manto acinzentado da terra, aconchega.

Passeio sem norte certo, nem mesmo o sul sei onde fica

Ao leste tenho a luz fria da efemeridade

Ao oeste ainda toco o calor do que podia e do que não é mais.

Um pouco de carmim vivo é jogado na tela

Entre uma valsa moderna e os latidos barrocos

Sobrepujados do destino

São como estranho num paraíso que não tem portas

Que não tem proibições.

Paro por um instante.

Vejo um afresco sistino passar…

Um balé férreo começa ao meu lado

Ao mesmo tempo em que a orquestra de metais

Aumenta seus acordes…

Acorde. Acordemos. Acordais.

Passamos muito tempo em temporalidades distintas

Falsamente cheias, mas eram fundos de copos vazios.

Gastamos fosfato em exauríveis sofrimentos românticos

E não vivemos o romance por inteiro.

Então, sejamos inteiros. Paremos o tempo.

Acordemos os perpétuos e encaremos o desejo, delírio.

Deliremos, exultemos, livremente

E com a mesma liberdade no espírito busquemos

Aconchego, acalento…

Uma balde de tiner jogou nos concretos deste muro

E a aquela encoberta pelas fuligens começa a aparecer

Volto os olhos ao oeste

Ainda é nesta direção que meu coração entoa-te

Deixo a frieza da beleza cosmopolita

Volto ao calor da castigante interioridade

E sorrio… Sorrio na alma.. Nos olhos

Para mim

Para o mundo

Para ti.

Outro Ano.

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O que falar?

Prolixa… tremo..
Virgula aqui?
Será?
Não sei..
Apenas sinto..
verto e sorvo a saudade que me rodeia..
sem rodeio digo o pensar
Externo o sentir.
O Por vir esfria a espinha
Mas porque temer?
Esperar?
Apressar?
Dúvidas?
Anseios… Certezas..
O carrossel colorido chega e roda sem parar..
o Coração acelera e o peito estufa
no simples pensar
olfato, tato, paladar
os sentidos aguçam nas lembranças
Vívidas e vividas..
Mais uma comemoração
mais um ano
mais saudade..