Monthly Archives: January 2010

Pass By

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Passou.

Olho para baixo e vejo um tênis de criança.

Os cachos dourado cobre a correr nas gargalhadas.

As pernas pequeninas escalando o banco ao seu lado.

Os olhos de jabuticaba a te admirarem.

Seus acordes. Suas melodias.

Tudo era mágico

Adultos e crianças perdidos

Em noite não sujas. Únicas.

Hoje olho para baixo.

Só existem calos.

Uma carapaça protege a pequena

O riso liso secou.

As lágrimas de desespero minguaram

Qualquer possibilidade de acreditar.

Vejo um fiapo humano.

Asco sobe as narinas

Dor percorre o corpo.

Raiva. Tudo estupidamente raivoso.

A face do desgosto. A face do desencanto.

Podia ter sido tanto.

Podia ter feito tanto.

Sofrer desnecessário arrastado pelos anos

Vidas estraçalhadas nas baforadas do destino.

Mentiras, egoístas empilhadas pelos cantos das salas.

Suplanto o choro.

Procuro a menina de cachos e sardas que no passado

Ainda te adora.

Assustada. Próstata.

As cordas da guitarra foram arrancas

E não existe mais som.

Não existe mais arranjo.

Tudo quebrado

Tudo desconcertadamente vil.

Gelidamente te vejo. Distante.

E quanto mais distante esteja é que rogo.

Suplico.

Não se engane. Não me engane. Não os engane.

Não mais.

Quando as mentes olham para cima

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Ontem pensei em ti

Um instante mais.

Não como antes,

Mas, incessantemente.

O rebuliço das cabeças

Nos quais somos tragados

De hora em hora

Escancaram as crenças, assim

Sem demora.

Olho ao alto,

O firmamento abre suas asas

Enquanto a lágrima solitária

Transpassa o escudo, a armadura.

Errante o espírito vagueia sem norte certo

Irritadiço, inquieto.

Nas veias corre uma latejante tensão

Mas não existe nada ao seu lado

Apenas a sombra de sua própria visão.

Singelo o choro contido que expurga

Afaga o cansaço que o persegue.

Perdões, senões não sei

As águas sacras vêm, e seguem.

Em uma ilha tenho o ponto cego

Que tenta filtrar e convergir as possibilidades.

Ao infinito tudo corre

Aos seus olhos e para a luz.

Todos os dias tentamos

Transpassar ao absoluto

Soluto nas tempestades mundanas

Onde sonhos viram pó

E desse pó se refazem e perduram.

Ps: Ao carioca e sua inestimável teimosia sobre a salvação do menininho da ilha. Fraseamentosfilosoficosteologicosdamadrugadachuvosa.

Take My Hand

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“ pegue minha mão

Posso não parar o tempo

Mas ajudo a passar por ele.

Deixe-se para mim,

Assim como tranqüilamente

Na intranqüilidade de decisões equivocadas

Deixo-me um pouco para ti.

O que passou ontem

Não tem como remendar.

E não podemos viver de remendos do falar, do sentir.

Não tenho a fórmula de felicidade

Ou da tranqüilidade da alma

A inquietude que me circunda

É voraz

Carrego no peito a incerteza das imperfeições que tenho

E a certeza de que posso

De que quero e de continuar a caminhar.

Pegue minha mão

Não hesite. A insanidade que posso externar

É frenesi de uma alegria interna que salta

Que busco alimentar.

Já cai, já levantei e já recomecei.

Tantas vezes, que a conta já nem sei.

Sofri, chorei e  jurei.

E…

Estou aqui. Outra vez, e outras tantas mais.

Ciclicamente  voltamos e continuamos;

Então, vamos¿”

Potiguá ensolarada

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Tudo na vida é movimento, aqui , ali e mais a diante.

Não existe forma para se parar o tempo;

Existem meios para eternizar, momentos.

Sejamos lembrança de algo que surgiu.

Entre o ser, estar e aqui manter.

A simples menção do lembrar

Faz-se canção ao vento que lhe empresta a vazão.

Sussurro ao tempo; vil amigo de noites quentes,

Que lhe contemple com os olhos de minh’alma

Quem sabe assim possa um instante mais

Poder sentir o cárdio músculo acelerar o peito.

Foste um raiar neste escaldante mar de mundo

Que acabrunhaste meu instante efêmero,

Deixando a mim apenas uma vontade;

Que na algibeira do presente

Que espera pelo futuro talvez,

Você aqui, possa, deixar-se um pouco mais

Pois, neste ponto;

Deixo-me a ti.

ps: para o amigo Harold, que pediu um poema para a amada de natal. espero que goste. sirva-se

What

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“ Pernas cansadas, corpo exaurido.

Mente longe.. tão longe

Que o pensar perde-se no limbo.

O calor perturbante dissipa-se

Feito passe de mágica.

O dia amanhece cinza pastel

Com tímidos e Bucólicos

Raios amarelados

Que na algibeira do horizonte se levantam.

A chuva imaginária que invade os sonhos

Ilusoriamente tenta refrescar os anseios.

Nada funciona…

A montanha russa dos trabalhos

O pensamento repousa, em um lugar.

Em uma só vontade.

Tudo converge aonde se quer chegar.

Caminho pelo cobalto noturno

À sombra da ribalta que vislumbro

Alheia me cerco de saídas

Que não no tempo do agora me levarão onde almejo.

Nenhuma lembrança é tão doce

Quanto a que nina meus soluços

E seca minhas lágrimas.

Falta de matéria. Vazio.

Depressões e renascimentos

Juntos em uma panela de ferro

Cozidos no fogão a lenha.

Mais um amanhecer para ganhar.

Mais uma máscara para colocar.

Mais um sorriso na face para buscar..

Encontrar..

Onde¿

O que se busca..

O que se deseja..

O que¿

O Tudo e o nada.

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Ruas um tanto

quanto vazias.

TRANSEUNTE

Apenas alguns com coragem

para cruzar os asfaltos.

Os pássaros levantaram à muito

Com a aurora poente

que em frações abocanha

o Céu estrelado dessa madrugada.

A Lua. Ah! a Lua…

Soberana matriarca deste espaço sem igual.

Brilhava, Clareava

A lousa dos confins;

Até perder e folego e tocar a terra.

O manto azul petróleo aconchegava

a caminhada. o caminhar.

Sem pressa…

Apenas necessidade de fazer-se ouvir

Ter o prazer de escutar, rir, conspirar…

O ar seco que adentrava nos pulmões

fibrilava os sonhos.

Quais as sensações que se misturam agora?

Indecifráveis, Tangíveis, Memoráveis…

Não existe movimento neste espaço

e essa letargia é insuportávelmente ;

DOLORIDA.

Aos pouco o ébano cede lugar ao amarelo pastel..

um pouco baunilha, um pouco laranja cromo..

a sinestesia do momento encontra a serendipidade

dos acontecimentos…

Sorvo esse nada cheio de essências

e levo comigo o raiar de um tudo sem igual.

a coreografia constante da vida se apresenta

esteja ou não com os olhos abertos;  ela se apresenta.

Fecho um pouco mais o obturador e peço o nível.

É só mais uma etapa

é só continuar ..

não somos nós que escolhemos…

Apenas.. seguimos.

Aqui

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Dorso torto, preste a cair.

Estranha leveza de inquietude

Somente passos acima de um degrau distante.

O etéreo se materializa nas areias do tempo

O palpável é levado pela névoa densa.

Astuto. O ser em si deve ser..

Paciência, virtude de poucos

Desafios de muitos.

Parcimônia.

A ampulheta esta a contar

Os músculos a correr

Minha voz se cala, perante sua luz.

O Silencio da multidão eufórica

Amedronta as colunas do universo

Apenas descansar… mente…corpo…

Fados tocam na vitrola

Enquanto escuto suas palavras de conforto.

Intrinsecamente és a única certeza

O combustível que move todas as energias que se encontram.

Conforto a cabeça nos teus olhos

Rogo pelo paraíso que esta na próxima esquina

Sincronicidade de acasos

Todos com explicação.

O Gramofone brota da árvore

Enquanto escuto a musica

Que emana de vosso coração.